
Queria se sentir livre, livre para voar.
Mas toda vez que pulava era o chão que ela sentia tocar.
Foi andando e andando, até que de repente encontrou uma porta. Queria tirar a venda, mas não! Iria ser forte, o que fosse achar seria uma surpresa, e ela amava surpresas.
Girou a maçaneta e sentiu o assoalho de madeira ranger. Sentiu estar em um filme de suspense,
queria tirar a venda.
Mas sabia que se assim o fizesse, acabaria com todo o encanto e seu coração voltaria a bater normalmente.
Ela foi se esquivando com as mãos para a frente afim de se proteger.
Sem saber ela caminhava para o seu próprio fim, cegada pela vontade de não ve-lo como ele realmente era. Queria inventar um fim dela, mas não seria como um final de novela. E disso ela não sabia.
De repente, entrou em pânico ouvindo o grunhido de um corvo.
'Meu Deus' ela pensou. 'Onde estou, pra onde vou?' - Então sem pensar duas vezes ela tirou a venda dos olhos!
Viu aquele corvo vindo em sua direção com toda ferocidade, frio, calculista... seus sentidos paralisaram.
E a partir daquele dia, o que ela viu foi só escuridão...
[O corvo vendou seus olhos, a venda comeu seu coração.]
[aí eu me perguntei até onde nossa fantasia pode nos levar, e o que pode ela fazer da gente, ou com a gente.]

