Abro os olhos e me vejo,
Caindo pelos abismos da vida.
Ora sugando todo ar do mundo,
Ora prendendo o ar na barriga !
Nascida dos ventos gélidos,
Não sou como qualquer uma.
Sou um armamento bélico,
Sou uma coroa de ouro pura !
Deixada em plena e deserta rua,
Invoco todos os deuses do céu.
Ordeno até que a mãe Lua,
Faça chover palavras com mel !
Minha vida é um emaranhado,
E fina linha de bombas-atômicas.
Armada para explodir tudo que está interligado,
Fazendo derreter corações em lembranças cômicas !
"Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade!" C.Lispector
sexta-feira, 21 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
.telhado.
Me sinto um telhado torto, um telhado velho, que já agüentou muitos vendavais e temporais. Mesmo trocando minhas telhas, continuam as marcas, voltam as goteiras.
E se eu desabar? O que irá proteger meu interior dos monstros da noite que espreitam lá fora? Do bicho-papão?
O telhado é só minha carcaça, encarniçada.
Atraindo do mundo, toda a podridão!
sábado, 8 de março de 2008
Amor Urbanizado
Há um poste entre eu e você, uma longa avenida entre nossos desejos. Tempestades caem no meu devaneio. Os carros buzinam, os ônibus se arrastam. Você me arrasta para o mais rústico beco do bairro, me rouba um beijo. Um gato fuça numa lata de lixo. O amor me fareja como um bixo, e te lambe. E vai embora. Nós ficamos abraçados, tremendo sentindo tudo isso, sem dizer uma única palavra. Os corações batem no compasso da máquina, e essa máquina amor, é o mundo. Somos nós. Nós dois...
Juntos!
Juntos!
sábado, 1 de março de 2008
A cabeça gira
A roda-gigante
O mundo expira
E eu tão distante,
Ofegante;
Os pássaros cantam, as bombas explodem
Meus ouvidos ficam surdos
Para o que não quero!
O que eu quero,
Escuto, mudo;
As nuvens tapam
O céu que eu não queria ver
Meus olhos desabam
A chuva que vem aquecer,
Sem ao menos saber;
Sem querer parar,
Mas já parando
Minha busca incessante!
Ficam apenas sussuros,
Delirantes;
Se foi alucinação
Ou anunciação
Essa meia jornada, não sei.
Sei que foi o que sobrou, o que faltou, o que esperei,
Ou apenas o que sonhei;
____________________

[Agradecimento:
Hélder, o míope, que me deu esse selo. Muuito obrigaada!Amei.]
A roda-gigante
O mundo expira
E eu tão distante,
Ofegante;
Os pássaros cantam, as bombas explodem
Meus ouvidos ficam surdos
Para o que não quero!
O que eu quero,
Escuto, mudo;
As nuvens tapam
O céu que eu não queria ver
Meus olhos desabam
A chuva que vem aquecer,
Sem ao menos saber;
Sem querer parar,
Mas já parando
Minha busca incessante!
Ficam apenas sussuros,
Delirantes;
Se foi alucinação
Ou anunciação
Essa meia jornada, não sei.
Sei que foi o que sobrou, o que faltou, o que esperei,
Ou apenas o que sonhei;
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[Agradecimento:
Hélder, o míope, que me deu esse selo. Muuito obrigaada!Amei.]
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