"Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade!" C.Lispector

quarta-feira, 18 de junho de 2008




Quem dera gritar à você
Tudo que quero e calo
Quem dera fazer chover
Nos teus olhos secos e claros

Ao simples olhar de relance
Queria te fazer suspirar
E cantar dentre as noites errantes
Que é só meu o teu amar

Venha, não tenha medo do amor
Não tema o que ele pode fazer
Qualquer amor tem valor
Qualquer vontatade tem um disfarçado prazer

Seja meu amigo, meu amante,
Seja tudo o que puder ser!
Carregue-me em teus braços, galantes
Morra comigo ao amanhecer.

quinta-feira, 12 de junho de 2008


Com os fones nos ouvidos, no volume máximo, ela só escutava o que queria ouvir. Passava pela rua em sua bicicleta sentindo o vento pôr seus cabelos para trás. Não é impressionante a forma como tudo fica mais bonito quando se tem uma trilha sonora? Não ouvia as fofocas das senhoras, não ouvia os xingamentos das pessoas no trânsito diário. Apenas ouvia sua música, e via tudo como se fosse um filme.

E vai dizer que não é assim mesmo? Vai dizer que você nunca sentiu que não fazia parte dos acontecimentos ao seu redor? Que tudo o que via era um filme do qual você não era protagonista, e sim telespectadora sentada na poltrona do cinema comendo pipoca e rindo da desgraça alheia, ou da desgraçada personagem que insistiam teimosamente em dizer ser você?

Os acontecimentos em sua cabeça lhe bastavam. Ela fechava os olhos, abria os braços e se deixava levar na descida, se sentia na cena do filme ‘Cidade dos Anjos’ e logo abria os olhos para não ter o mesmo fim da personagem (embora às vezes, secreta e culposamente, desejasse isso).
E gostaria de ficar com os olhos fechados por mais tempo, sensação melhor não havia. As nuvens iam se fechando no céu, ia escurecendo, e ela queria virar parte da noite, se sentir como Estrela perdida no Espaço. Se deixava levar, se deixava noite virar, para em seguida amanhecer no canto do bem-te-vi,

e à vida real grosseiramente voltar.

domingo, 1 de junho de 2008


Os dias vêm e vão
Na imensidão do Universo.
Meu coração se equilíbra
Nos meus sentimentos controversos

Meus pensamentos se mesclam
Com as cores que vejo
Não sei mais o que penso
Nem mais o que desejo

Desejo abundância de amor
Desejo eternidade de sorrisos
Desejo a adrenalina do calor...

Que eu seja tudo e nada
Que eu sinta o paraíso,
Parado a beira da estrada.