"Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade!" C.Lispector

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quantas noites passei em branco lembrando do branco dos seus olhos,
quantos dias permaneci na cama só para não sair de perto do seu cheiro que ainda inundava os travesseiros e o lençol.
Você me disse que voltaria logo, que só precisava ver um pouquinho do mundo,
e eu fiquei aqui vendo um pouquinho do nada, cada dia mais e mais... um pouco da falta, um pouco do copo vazio, um pouco da cama desarrumada.
Devorava livros diariamente tentando encontrar uma história que me fizesse crer na vida [e eram todas tão incoerentes, tão fictícias].
Perto deles nossa história me parecia real, mas você disse que não passava de um sonho temporário, que uma hora ou outra teríamos que acordar.

só que você se esqueceu de dizer que o sonho foi seu,
e eu era apenas mais uma personagem nessa trama,
que para mim se fez drama.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

minha batalha

Há monstros que adormecem dentro de mim... mas que sono leve eles têm.
[e eu que nem ao menos sabia que o meu interior era morada de algo, pensei ser oco]
Uma sacudida mínima que a realidade me dá, desperta-os, fazem-os saírem em prol de me defender.
Meus olhos ficam opacos, meus punhos se cerram, e estou pronta para o que der e vier. Viro exteriormente a muralha que há dentro de mim.
Metamorfose pura. Nenhuma dor me pertence, nenhuma lágrima ousa sair, criei uma barragem atrás de meus olhos.
Agora é assim: eu contra eu mesma.
Dá-se início a uma batalha que não vai ter fim.