Subi ao palco e me mostrei mais limpa e crua que qualquer um já havia se mostrado. Meus arranhões à flor da pele deixei expostos, minhas feridas mal cuidadas deixei sangrar à olho nu, minhas marcas de passado (e pecados) deixei analisarem.
E esperei, esperei os tomates podres voarem em minha direção, esperei as vaias encherem meus ouvidos de decepção... Esperei me apedrejarem, me chicotearem, me colocarem presa numa cruz. Fechei os olhos e nada mais fiz do que esperar a punição por ser quem eu sou (já que diariamente me reupidiavam)
Quando os abri, vi que ninguém falava, ninguém sorria. Todos estavam me encarando e desejando a minha coragem, mas mesmo assim ninguém se postou ao meu redor.
Foram saindo um a um...
Como se a verdade machucasse a vista!
A verdade em cólera, transbordante. Não existia certo ou errado.
Apenas a sinceridade do meu ser pairando e enchendo todo o ar, e ninguém aguentou olhar.