"Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade!" C.Lispector

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ela desejava conhecer o Mar Morto, queria comprovar de qualquer maneira que havia algo mais morto que sua própria carne em estado de putrefação bem camuflada. Assim como aquelas águas solitárias e impenetráveis ela era, também carregava o excesso de sal, que saia pelos seus olhos transbordantes de tristezas incompreendidas. Nada penetrava sua alma, e tudo que já havia nela parecia morrer cada dia mais.
Sem ao menos chegar à superfície para respirar, ela se afogava dentro de si, e assim como a vegetação dos lugares secos e áridos, ela vivia se entortando toda, tentando ser acolhida pela terra.
Ela tinha aquele olhar de esfinge calada, de quem havia sofrido por inúmeras vidas, que ninguém compreendia, ninguém decifrava. As vezes ela mesma chegava a se surpreender, descobrindo e redescobrindo segredos próprios, se perdia no labirinto que a compunha. Olhos que guardam segredos que nem ela sabe, que viram muito do que ela ainda não viu. A janela de sua alma estava explicitando que era mais antiga que o corpo que a protegia.
Os pensamentos que ela possuía pertenciam a outro plano, era mente de quem já viveu muitos anos além da imaginação, mente de espirito velho...



Então, tristemente chegou a uma conclusão: a única coisa capaz de se parecer um pouco com ela era um mar...

um mar morto.


[e que, ironicamente, iria matá-la]

16 comentários:

  1. O final foi simplesmente: perfeito...

    Parabéns!

    Saudades!

    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Eis o mistério literário.
    Adorei o desfecho da trama.

    Beijocas

    ResponderExcluir
  3. sensacional moça...
    obrigado pelo comentário lá no blog da Poetíssima no último post
    fico honrado...

    visite-me se puder
    bjo Jéssica

    ResponderExcluir
  4. Belo texto!
    Estou imaginando o olhar de esfinge calada...
    Beijos!

    ResponderExcluir
  5. Muito bem escrito, com um final soberbo, parabéns!

    Beijinhos,
    Ana Martins

    ResponderExcluir
  6. Triste, mas a tristeza tem lá sua beleza, ainda mais com palavras tão bem escolhidas.

    Bejo!

    ResponderExcluir
  7. Ah, e obrigado pelas palavras do comentário.

    ;D

    ResponderExcluir
  8. ai!
    isso é tão você
    e toca tanto em mim...!

    beijos,
    e luz e sol e amor

    ResponderExcluir
  9. Jéssica,


    Carregar "a memóra das idades" pesa.

    Por isso mesmo, nos é dado o beneplácito de esquecer...


    ;)







    Beijos, querida.









    Marcelo.

    ResponderExcluir
  10. Trágico, mas não deixa de ser bonito. O jeito que você escreve, fazendo as comparações que faz me prendem a ler mais e mais. Parabéns!


    Que bom que não abandonou. Sua presença é sempre bem vinda! Sei como é quando tá chegando o final do ano, rs. Beijo, moça.

    ResponderExcluir
  11. Passei por aqui!
    Sempre volto nos lugares que gosto...
    Estou esperando sua visita, entra e fica a vontade!
    Abraços!

    ResponderExcluir
  12. Perfeita tradução de uma alma já cansada do maltrato da vida. Várias vezes me sinto assim, mas tudo é um recomeço e eu percebo que ainda vale a pena lutar mais um pouco.

    ResponderExcluir
  13. Me senti sendo levada para o fundo do mar morto...
    Peranto meus olhos gelidos e sem vida...

    Explendido!!

    Beijo

    ResponderExcluir
  14. Olá!!!

    Boa noite, tudo bem?!

    Que bom poder voltar aqui pra dizer que estava com saudades...

    Posso entrar?!

    Você tem sempre passagem livre no meu cantinho...fique a vontade!

    Abraços ternos,

    Poetíssima #

    ResponderExcluir
  15. Muito bom mesmo...bem sensato...
    parabens...

    ResponderExcluir

"Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - até que não caibo em mim e estouro em palavras." - C. Lispector